Claro de Luna

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Não Houve


Não houve lembrança alguma,
Quando deram lhe a noticia de que havia partido
E minhas ultimas palavras foram por teu nome.
Não houve lagrimas.
Supôs tristeza,
E na primeira primavera esqueceu-me por completo.
Não houve o claro abril celeste
E suas manhãs arcaicas,
Onde me impregnava de esperança
Trazendo-me alvoradas festivas de dois corpos.
Trancou-me junto às vestimentas,
Os quadros a dois e meus utensílios
Em um armário qualquer pela casa.
Secou minhas lagrimas por todo o chão
Com descaso,
Varreu dos cantos meus risos
Sem nem um cuidado,
Abafou meus segredos com uma musica qualquer,
Afastando minha presença de seus dias.
Foste ao jardim das auroras com outros olhos,
Ateando fogo no local que cultivei
O amor de meu pensamento.
(um velório ameno, para uma vida de desconforto.).
O que mais perturba minha alma
Não é ter me extinguido
E definhado por causas vãs.
Minha perturbação é não ter percebido
Que mais do que eu foi sepultado
Nas terras frias padecentes.

domingo, 6 de julho de 2008

Últimos Versos


Não venho aqui exaltar as dores,
Essas falam por si.
Venho dizer as ultimas palavras
Há quem um dia me devotei em amor.
Rompi o selo do peito,
Abortei-me da vida
Em um singelo gesto harmonioso de dor.
Brandei minha alma torturada
No véu dos sonhos finitos.
Desagüei-me nesses últimos versos,
Pois nada me resta a temer,
Se não pelo vazio dos ossos
Que murmurarão meus segredos aos vermes.
Entreguei-me a exaustão que tudo finda, selando-me.
Não chore por mim,
Quem me reza tão distante.
Nessa hora o musgo selará minhas pálpebras,
A vertiginosa espuma tomará minha boca sem anseio
E meu corpo se resumira em um silêncio profundo e traiçoeiro.
Venho dizer ao meu amor (mesmo que seja pequeno),
Que podes descansar em meu peito
Que nada mais nos aflige,
O poço onde brotam as lagrimas secou,
Os túmulos estão selados
E os fantasmas se foram
Levando-me consigo.
Repousa em meus ossos
Os sentimentos humildes que nunca escrevi,
Não é necessário temer-me mais
Pois a carruagem dos mortos
Atropelou-me a vida
Libertando-me do cárcere em que me encontrava.
Não venho exaltar dor alguma
Essas por si só já me tomaram mais que o tempo.
Vim dizer apenas ao meu amor que não chores,
Pois repouso na eternidade de seus sentimentos.

Antonio Soares